segunda-feira, 29 de junho de 2009

SER PACIENTE

É comum ouvir-se dizer que alguém perdeu a paciência.
Sendo a paciência uma virtude, parece estranha a idéia de que possa ser perdida.
Virtudes são conquistas do espírito, que as incorpora em seu modo de ser.
Não se trata de algo exterior, que o homem encontra e vê desaparecer sucessivas vezes.
Quem desenvolve uma virtude passa a ser melhor em determinado aspecto de sua vida imortal.
É possível perder-se apenas o que se possui, mas não o que se é.
Se uma característica nobre foi assimilada por alguém, ela não pode ser perdida.
A criatura genuinamente honesta jamais extravia a própria honestidade.
A pessoa bondosa não é privada repentinamente de sua bondade.
Assim, quando alguém afirma que perdeu a paciência é porque nunca chegou a ser verdadeiramente paciente.
Isso não significa que as virtudes surjam de um momento para o outro.
Elas devem ser paulatinamente elaboradas no íntimo do ser.
No longo processo de aquisição da nobreza interior, trava-se uma autêntica batalha entre os vícios e as virtudes.
É comum que certas quedas ocorram, pois se trata de um processo de transição.
Mas a verdade é que, enquanto a criatura titubeia entre atos nobres e mesquinhos, ela ainda está lutando contra si mesma.
Virtudes não são propriedade de um determinado espírito, pois compõem a sua própria essência.
Tanto é assim que habitualmente se fala que alguém é bondoso, e não que possui bondade.
Enquanto estamos com dificuldade para tolerar certas pessoas ou situações, ainda não somos pacientes.
No máximo, estamos lutando para incorporar essa virtude.
Afinal, é fácil conviver pacificamente com quem pensa igual a nós, ou suportar pequenos inconvenientes.
O teste para nossa fibra moral é suportar com serenidade grandes contrariedades ou provocações.
A verdadeira paciência é sempre exteriorização da alma que já realizou muito amor em si mesma.
Plena de amor, ela distribui os tesouros de seu afeto aos que a rodeiam, mediante a exemplificação.
A alma paciente já consegue considerar todas as criaturas como irmãs, em quaisquer circunstâncias.
Se necessário, ela esclarece a ignorância, mas sempre de modo fraterno.
Paciência é a tolerância esclarecida que revela a iluminação do ser que a manifesta.
Trata-se de uma conquista sublime, somente alcançada a custo de disciplina e esforço.
Para ser paciente é preciso domar os próprios impulsos inferiores.
Quem pretende ser tolerante deve cessar de ver problemas nos elementos externos, sejam pessoas ou circunstâncias.
Precisa compreender que todo o mal que atinge a criatura em evolução vem dela própria, de seu interior carente de renovação.
Quem percebe as suas seqüelas morais, sem disfarces ou desculpas, naturalmente tende a olhar o próximo com tolerância.
Mas não basta apenas perceber os próprios problemas.
É necessário corrigi-los, com a adoção de novos padrões de comportamento.
A disciplina antecede a espontaneidade.
Transformar vícios em virtudes pressupõe disciplina e determinação.
Assim, para ser paciente é preciso esforço em tolerar as dificuldades e os defeitos alheios.
Mas também é indispensável trabalho concentrado para vencer os próprios vícios.
Pense nisso.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base na questão 254 do livro ‘O Consolador’, do Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.

referência: http://www.momento.com.br/exibe_texto.php?id=1279

domingo, 31 de maio de 2009

Lembrete:

Allan Kardec afirma: “o egoísmo é a fonte de todos os vícios, como a caridade é a fonte de todas as virtudes. Destruir um e desenvolver a outra, tal deve ser o alvo de todos os esforços do homem, caso queira assegurar a sua felicidade tanto neste mundo quanto no futuro”.
Desapegar-se é deixar de ser egoísta, é estar cada vez mais próximo de si mesmo, de Deus e muito, mas muito mais próximo da felicidade.


Próximo post: desapego e egoísmo.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Cansado e feliz na terra

Já reclamei demais em minha vida,

sempre cansado de tudo e indignado com os outros,
mal sabia eu que a indignação era comigo mesmo.
Que direito tenho eu de reclamar da vida,
se por ela quase nada faço,
e quando faço é por interesse egoísta?
Que direito tenho de levantar injúrias contra os que
ainda não sofreram o suficiente
para entender o pouco que sei agora.

Cansado na terra, estou
mas com a fé de quem deve fazer mais
muito mais do que minhas vontades,
percebo que todos devem trabalhar,
e os que reclamam inevitavelmente sofrem mais.

Cansado na terra, estou
e por isso dou graças a Deus,
pois com o espírito exausto
e o corpo ainda jovem
pude refletir sobre as verdades do espírito,
a quem os anjos vem sempre renovar
quando dispostos estamos a servir.

Alegre na terra, estou
com toda a fé de quem não sente-se mais só,
pois reconheço em verdade que por trás da carne,
os bons amigos nos amparam,
e não nos deixam senão quando não nos dispomos a ouvir.


sexta-feira, 27 de março de 2009

Sobre a humanidade em mim



Todos os dias os jornais noticiam as grandes misérias da humanidade. Não tem erro, é só ligar a televisão e aguardar para assistir um fato no mínimo lamentável, ás vezes noticiado de forma exagerada, às vezes apenas colocado entre duas matérias mais significativas. E a história se repete, de manhã até a noite, por vezes até na madrugada.
Quantos destes fatos presenciamos pessoalmente ? Quantas vezes vimos um avião cair, ou um homem ser linchado ? Talvez nenhuma, a não ser na televisão ou na internet. De toda forma, isso nos faz pensar as vezes que o mundo é injusto e cruel, e que somos vítimas do acaso e da ignorância alheia. Mas não seríamos também vítimas da nossa própria ignorância ?
Quantos erros já cometemos com as pessoas e com nós mesmos ? Quantas vezes culpamos as circunstâncias para poder dormir em paz ? Quantas vezes deixamos de nos responsabilizar pela trajetória das nossas palavras para poder gozar de uma falsa tranquilidade ?
O homem que é vítima dos outros homens, acaba por ser vítima dele mesmo quando não assume seus atos.
Todas as misérias causadas pelo egoísmo da humanidade, o meu egoísmo, ainda não foram suficientes para tornar o homem um ser mais responsável ? Até quando vamos nos por à margem da humanidade e apontar para todo o resto dentro do nosso impensado conceito de humanidade ?
A principal causa da tormenta que desequilibra o ser está enraizada no fundo da sua alma, no inconsciente. Lá estão bem guardados grandes segredos, todas as ofensas não perdoadas, todas as ofensas proferidas, todos os erros cometidos com o aval da nossa ignorância, mas contrariamente a nossa essência.
Já é hora de nos responsabilizarmos por nossos atos. É agora o momento de entender que o erro faz parte do acerto, mas que a insistência no caminho errado é martírio desnecessário.
Como podemos querer a felicidade, se fazemos ao próximo coisas que nunca desejaríamos a nós mesmos ? Não é da nossa essência buscar o sofrimento senão em estado de pertubação. Quando agimos de má fé, com má vontade, estamos nos contrariando e consequentemente pagando o preço através de uma agonia aparentemente inexplicável.
Lamento que grande parte da humanidade ainda não entenda isso. Que o orgulho ainda cegue grande parte de nossos irmãos e muitas vezes, nós mesmos. Mas o que fazer então ?
A solução a priori é entender que toda ofensa é fruto da ignorância. Aquele que pratica um ato com ignorância, está privado parcialmente ou totalmente da sua plenitude de consciência, então pode ser considerado à um ato irresponsável. A palavra irresponsável significa "não responsável". Da mesma forma com que o animal age por instinto, o ato irresponsável, pode também ser comparado à um ato instintivo, pois é causado mais por um sentimento ou desejo indomado, do que por uma razão plena e completa.
Todos nascemos no mesmo planeta porém sob condições culturais diferentes. Essas condições são fatores importantes na construção de nossa personalidade, mas não é o determinante. Estamos em evolução física e moral ao longo da história, isso é um fato que pode ser visto com um pouco de estudo e observação. Quem negar isso, está negando a si a oportunidade de compreender melhor o mundo. Quando compreendemos esta evolução, naturalmente nos inclinamos para uma descoberta muito importante, a de que os homens estão em estágios diferentes de entendimento, e consequentemente, agem de acordo com este estado. Aquele que compreender e aceitar que estamos em condições diferentes de entendimento, mas perante a gigantesca escala evolutiva, estamos todos ao mesmo nível, será capaz de perdoar e relevar qualquer erro cometido.

O quadro deste post é do pintor espanhol Goya, vale a pena assistir o filme: "Os fantasmas de Goya", e refletir sobre a sua arte, que era de certa forma uma crítica e um retrato fiel da nossa condição.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Sobre o que buscamos


Nos buscamos muitas coisas
mas e se algumas delas forem cidades perdidas
que crescem apenas em nossa imaginação
então podemos parar neste exato momento
fechar os olhos e olhar para o interior

Imagine algumas velhas ruinas gregas
com colunas brancas por onde se enrosca verdes plantas
uma ilha com estradas de pedras e água fresca saindo dos vales
a grama que balança ao prazer do vento de uma primavera eterna

Eu consigo ir até lá
basta começar a imaginar esta simplicidade
algo que sempre existiu ao nosso lado
você ainda pode ver
longe dos prédios
dos telefones
dos homens civilizados

Lá é possivel viver o verdadeiro amor
toda ofensa é perdoável
todos trabalham por todos
a vida é simples
como deve ser.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Ar condicionado ecológico

Não suportando o calor aqui de Uberaba (Minas), resolvi pensar em uma maneira de esfriar o ar. Inicialmente fiz uma "sanfona" com papelão, molhei e coloquei na frente do ventilador... O vento passava pelas dobras da sanfona, evaporava a água e esfriava o ar final. Deu pra sentir um ventinho mais fresco, sério hehehe ! O formato de sanfona é para aumentar a superfície de evaporação e consequentemente aumentar o esfriamento. Claro que isso foi só um teste. Creio que se eu fizer um "radiador" de papelão com um comprimento maior e distribuir água sobre ele com uma daquelas bombinhas de aquário, deve dar um grau legal ! hehehe

Procurei por ae e achei um sistema também bem simples, mas não muito atrativo. É um espiral de tubo de cobre preso atras de um ventilador ligado a uma caixa de isopor cheia de água gelada. Legal né ? Mas e a água gelada ? Ficar jogando gelo dentro da caixa não rola :P

Minha idéia é velha, usada desde os tempos dos faraós. Hoje no Brasil a empresa responsável por fabricar esse tipo de equipamento é a Ecobrisa. Se você tiver um pouco mais de dinheiro, algo em torno de 900 reais, você pode comprar um equipamento desses (com selo greenpeace). O consumo de energia é muito baixo comparado com um ar condicionado comum. Com certeza não vai nevar dentro da sua casa, mas pelo menos vai refrescar um pouco. Reduz de 4 a 12ºC. Se eu não conseguir comprar um desses, monto o meu de papelão e ponho uma foto aqui ! kkk

Assista a matéria da TV Cultura.




segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Meu ex-mundo ovO



Fui adolescente,
fui efervescente,
desligado do mundo,
ausente.

Meu mundo era um ovo,
pequenas fissuras,
pouca luz e muita clara.
Claro que eu via a casca.
Descascava pra dentro de mim.

Nunca imaginei além da casca.
Foram anos duros com a casca
me protegendo e me isolando.

Do ovo agora só restam lembranças.
Nunca esquecerei daquele tempo,
quando a casca me protegia
e eu acreditava estar sozinho.